
Com relação ao recente artigo "Valorizar a diversidade estimula a inclusão" da Ministra Matilde Ribeiro, da SEPPIR; apesar de toda simpatia pessoal que tenho pela Ministra e respeito pela sua história de militância (iniciada nos mesmos idos que a minha), desejo tecer alguns comentários .
Primeiro é bem verdade que os últimos anos tem sido profícuos com relação à discussão da temática e implementação de Ações Afirmativas pelo Governo Federal, seguido de perto por muitos Governos Estaduais e Municipais; mas... há de se convir que a maior parte destas conquistas que começaram a ter visibilidade nos últimos 4 anos, é resultado da luta de décadas dos Movimentos Negros, atuando junto à sociedade, academia e forças políticas..., portanto deflagradas muito antes de 2003..., pela leitura do artigo a impressão que dá é que tudo isso é fruto do Governo Lula e da SEPPIR... , quando todos nós envolvidos na militância sabemos que apesar da "boa vontade" governamental , a ação efetiva de ambos (Governo em geral e SEPPIR) tem até o momento sido relativamente "tímida" se comparada com as demandas e os esforços da sociedade civil organizada (ou quase).
Segundo, se não houve "alteração indevida" no texto que li, falar em "imigrantes africanos" é no mínimo desrespeitar a memória e o sofrimento de nossos ancestrais; que de "imigrantes" não tinham nada..., foram sim escravizados e compulsóriamente trazidos para compor as bases da nação brasileira as custas de muito suor, sangue e sofrimento; bem diferente dos imigrantes espontâneos ou patrocinados pelo estado brasileiro, vindos para premeditadamente "embranquecer" o país no pós-abolição.
É até compreensível que depois dos covardes ataques e descontextualizações de falas ocorridos recentemente, a Ministra queira (ou tenha sido levada a) "suavizar" o discurso..., mas dai a transformar gente chegada acorrentada ao Brasil em porões de navios negreiros em "imigrantes", como se diz no popular é "forçar a barra"...
19.10.07 • 14:42:50 • by juarez_silva
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Há dias repercute no Brasil todo, a notícia que de 2005 para 2006 aumentou o número dos auto-declarados pretos no país. Em números absolutos 1,34 milhão de pessoas a mais passaram a assumir a cor.
De acordo com os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad 2006), divulgada no dia 14 de setembro, caiu, entre 2005 e 2006, o número de pessoas que se declaram brancas ou pardas e aumentou o número dos que se dizem pretos, de 6,3% para 6,9%. Os pardos passaram de 43,2% para 42,6%, e os brancos, de 49,9% para 49,7%.
O ápice da mudança vem justamente da região norte, onde o percentual subiu de 3,8% para 6,2% (63% de aumento), indicando que o trabalho de conscientização feito pelos movimentos negros da Amazônia, somado as políticas de ações afirmativas e ao aumento de referenciais positivos na mídia e educação, estão funcionando e muito bem (para desespero de alguns que insistem no "mito da não-presença negra na Amazônia" e na "ideologia da coluna do meio" ) .
É bem verdade que a classificação censitária "Pardo" do IBGE que agrupa automaticamente os auto-declarados pretos e pardos como população negra, funciona virtualmente bem para 92% da população brasileira, mas não se aplica perfeitamente no caso dos 8% de brasileiros que habitam a região norte, por aqui é óbvio que a maioria dos "pardos" é indigena-descendente e não afro-descendente, mas se fizermos um cálculo "grossus modus" e levando em consideração o padrão nacional de que a auto-declaração de pardos é sempre aproximadamente 5 vezes maior que a de pretos, teriamos então pelos novos números, uma população "amazônida afro-parda" da ordem de 30% que somada aos cerca de 6% de "pretos amazônidas" , nos levaria a nada desprezíveis 36% de população negra na região... .
Pois é..., contrariando os "mitificadores de plantão" deslumbramos uma Amazônia também negra e não apenas indígena, branca ou como muitos preferem "cabocla"( termo preferencial para os não querem "ser 'indios' " e que faz referência aos descendentes de indígenas, obviamente miscigenados ou não, maioria populacional na nossa bela região amazônica) .
Outro dado interessante da pesquisa nacional é que o grupo dos auto-declarados brancos perdeu um pouco de "massa" com o deslocamento de 0,2% para o grupo auto-declarado pardo, o segundo grupo também perdeu 0,6% de "massa" com o deslocamento para o grupo auto-declarado preto, mas não apenas...,é importante observar que a redução do grupo auto-declarado pardo implica também no aumento da auto-declaração indígena, bom sinal, indica que as pessoas estão se conscientizando e parando de fugir do "estigma" de ser negro ou "índio"(as aspas se devem ao fato da maioria dos militantes do movimento indígena , aceitarem bem o termo indígena que é utilizado para designar populações nativas vivendo em seu modo tradicional, mas não gostarem do termo "Índio" que consideram um apelido genérico e descaracterizador da sua identidade étnica específica impingido pelo colonizador branco).
Na onda de "negrificação" da Amazônia, outro fato importante é que a histórica negação da presença negra na região está sendo desmistificada por atividades de massa e acadêmicas, a Universidade Federal do Amazonas,agora tem em seu curso de História, uma disciplina que trata de História e Cultura africana e afro-brasileira (e vem por ai um NEAB),preparando os futuros professores para "um outro olhar" sobre a temática, "saindo prontos de fábrica" para cumprir a lei 10.639/2003; na esteira do processo, em meados de setembro a Escola Sen.João Bosco em Manaus, realizou uma feira cultural que envolveu toda a escola e cujos preparativos duraram 7 meses, os alunos estudaram tudo sobre países africanos, entrevistas com africanos residentes na cidade, se apresentaram com trajes típicos e bandeiras dos países, fizeram pesquisas sobre os afro-brasileiros e contaram com palestras de integrantes do movimento negro local (entre eles eu) sobre Presença Negra no Amazonas, a Capoeira como afirmação, Racismo, além da influência Afro na música e manifestações artísticas locais.
Muito interessante foi perceber a alegria de todos estudantes envolvidos no projeto, mas principalmente dos estudantes afro-descendentes, em assumir sua ancestralidade, exibir seus penteados afro, usar trajes típicos ou falar sobre países africanos nos stands montados para cada um dos paises estudados.
Manaus em 2007 passa a ter o 20 de novembro como feriado municipal e culminando a luta contra a invisibilidade, o enredo para o Carnaval escolhido pela escola de samba amazonense Reino Unido da Liberdade (que em outubro realiza o 1º concurso de beleza negra masculina e feminina do estado), falará da presença negra no Amazonas, da abolição que no Estado ocorreu 4 anos antes da Lei Áurea, homenageará Mãe Zulmira (sacerdotisa de culto de matriz africana recentemente falecida) e trará um "cortejo africano" com nada menos que 600 pessoas negras e com uma "ação afirmativa" inédita no meio carnavalesco local.
Sinal dos novos tempos..., onde a Amazônia começa a se ver e ser vista também negra.
23.09.07 • 19:15:18 • by juarez_silva
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por Juarez C. da Silva Jr.- 2007
Antes de mais nada, é preciso esclarecer que apesar do título que lembra um pouco a hilariante junção estabanada de fatos históricos desconexos em famoso samba do passado, o presente texto não é um “artigo do crioulo doido”, também não é exatamente uma resenha de "obra"; literária específica (onde o entendimento de "obra"; pode democraticamente variar do senso comum ao sentido substantivo de um verbo já em desuso...), mas sim uma crítica a um fenômeno relativamente recente e que se manifesta através de variados meios e formas, mas principalmente através de lançamentos “literários” e da repercussão e linhas editoriais alinhadas da grande mídia .
Na última década, a sociedade brasileira que parecia "deitada eternamente em berço esplêndido", acordou de maneira geral, com relação a um mito que apesar de desmascarado já nos anos 50 do século passado, na trilha do famoso trabalho da UNESCO, realizado por importantes cientistas sociais nacionais e estrangeiros (entre eles os grandes Oracy Nogueira, Florestan Fernandes, Thales de Azevedo, L. A. Costa Pinto, Roger Bastide e Marvin Harris), habitava e ainda habita no imaginário de muitos brasileiros, o mito da “Democracia Racial”; racismo e desigualdade eram assuntos "tabu", presentes apenas nas discussões do Movimento Negro (MN), nos trabalhos acadêmicos de um número reduzido de pesquisadores, ou relegados à dados dos Institutos de pesquisa e estatística até então pouco divulgados e conhecidos.
Porém, tal situação mudou com o advento da Internet no Brasil e com a proposição nas casas legislativas, de leis e políticas de Ação Afirmativa (AA), que poderiam efetivamente alterar o "Status Quo"; das relações de raça e classe no Brasil.
Juntamente com o acesso facilitado à informação, a capacidade ampliada de articulação dos movimentos sociais (entre eles o MN) e o início dos processos de reivindicação legal de AAs, surgiu uma verdadeira "onda reacionária" formada por políticos, catedráticos até então desconhecidos do grande público, artistas “controversos”, jornalistas, internautas e estudantes de classe alta/média, além de veículos de comunicação alinhados com a mentalidade neo-liberal, em tal frente se alistaram até mesmo sindicalistas obscuros e marxistas ortodoxos que teimam em enxergar tudo como “questão de classe”, remetendo as respectivas soluções sempre a um universalismo utópico e plenamente socialista; como manda as regras do meta-racismo até movimentos “anti-racistas fakes” contrários as AA apareceram do nada para “apoiar” os que defendem a idéia de que vivemos uma “democracia racial” ou que reconhecendo não existir tal “democracia” enxergam as AA com recorte racial como um “perigo ainda maior” para a democracia e relações sociais.
É interessante perceber, que nomes nunca antes ouvidos nas discussões ou citados em estudos sobre a temática étnico-racial brasileira, começaram a pulular na mídia conservadora e “embasar” a argumentação dos que apaixonadamente reinventam o velho discurso da democracia racial brasileira, a quem me refiro como NEO-DEMOCRATAS-RACIAIS; com suas desastradas tentativas de ocultar ou distorcer o obvio..., “desqualificando” ou ignorando trabalhos sérios e metódicos elaborados desde muito antes das AA começarem a se materializar, ou ao fazer “re-engenharias mirabolantes” com as claras estatísticas, “provando” que absolutamente todos os institutos estão “errados” e apenas eles certos... .
È impressionante observar as falácias primárias em sua argumentação, bem como o cinismo meta-racista com que tentam travestir de “anti-racistas e pró-democráticas” suas ações e argumentações, chegando ao cúmulo de tentar “inverter os papéis” acusando conhecidos combatentes históricos do racismo de “racistas” , ou de forma alarmista anunciando “divisões”, ódios, preconceitos e discriminações que no seu entendimento nunca existiram nem existem.... , mas que se tornariam realidade justamente pelas políticas criadas para coibi-las..., o que por analogia seria algo como dizer que instalar um maior número de semáforos e radares em uma cidade fará surgir um sentimento geral de aversão às leis de trânsito, estimulando assim as transgressões, aumentando a violência no trânsito, o número de acidentes e de multas, coisas que antes “não existiam” porque todos já “andavam na linha” .
Um detalhe irônico é que as “estrelas” neo-democratas-racias, que afirmam ser o Brasil um “ país mestiço” (quando na realidade é multi-racial ), que “não somos racistas”, que “não é possível” dizer quem é branco e quem é negro no país...(chegando ao cúmulo de promover pesquisas para “provar geneticamente” que nossos mais famosos e óbvios negros são na realidade mais “europeus” que africanos..., só esqueceram de fazer um teste de africanicidade com os mais famosos e poderosos brancos do país..., será que o resultado seria assim tão “misturado” ? ), que todos, independente da cor ou origem tem direitos e oportunidades iguais de atingir o patamar em que eles mesmos se encontram...(apesar dos negros serem obviamente uma raridade no patamar em que estão); se colocados em uma relação apenas com seus sobrenomes mais conhecidos, relação esta lida com entusiasmo por um narrador esportivo, daria a impressão de se estar falando de uma seleção esportiva européia completa (e não é a portuguesa...), já no “segundo time” até que aparecem alguns nomes tipicamente brasileiros...; é importante deixar claro que esta observação não tem nada de “xenofóbica”, mas dá bem a dimensão de quem é, de onde vem e de “onde fala” a “elite de intelectuais brasileiros” que se arvora em “defender” o país de “perigos” iminentes à democracia e igualdade .
Começando em dizer que “não somos racistas”, depois alardeando em uníssono “divisões perigosas” e por fim “descobrindo” na “cabeça do brasileiro” que as elites são “boazinhas” e progressistas, a mentalidade reacionária e tacanha estaria pasmem, em maior parte “na cabeça” dos analfabetos..., que seriam então os “grandes vilões” do pensamento brasileiro.
Quando ouvi a chamada de matéria que falava em bombásticas revelações em livro sobre “a cabeça do brasileiro” em importante telejornal (por sinal comandado por um neo-democrata-racial), desconfiei que “vinha coisa”; ao ouvir que pesquisa demonstrava que era “erro” imputar “à elite” de maneira geral a pecha de reacionária, já que há diversas “elites” e a de que trata a pesquisa é a elite educacional (como se não houvesse qualquer relação entre elite educacional e econômica...), que os analfabetos é que eram os responsáveis pelas idéias mais reacionárias e que os mais educados eram justamente os mais progressistas, não contive um “risinho irônico”... .
Ainda na matéria surge uma constatação “inédita”..., na pesquisa quando confrontados com fotos de três homens (um mecânico “branco”, outro mecânico pardo e um professor preto) e perguntados sobre qual seria o melhor candidato para casar com a filha do entrevistado, na resposta de 43% a escolha foi o mecânico branco, 27% preferiram o professor preto e apenas 15% o mecânico pardo...; a impressão é que o “recado embutido” seria de que realmente a maioria prefere o branco..., mas que o fato de ser preto ao contrário do esperado não colocou o preto na última posição..., o que teoricamente daria ao pardo uma carga maior de rejeição..., “provando” a não discriminação maior para com os pretos...; uma falácia aparentemente coerente... para os mais desatentos... , não fosse o detalhe do preto ser professor..., portanto do ponto de vista social teoricamente “melhor partido” que os dois mecânicos... e o fato de não ter sido feita (ou pelo menos divulgada) a pesquisa com os 3 na mesma condição (todos professores ou todos mecânicos), ai sim ficaria muito claro a “cabeça do brasileiro” com relação a cor ).
Outro detalhe é que somando os percentuais temos apenas 85%..., o que leva a crer que 15% não responderam...., temos duas possibilidades: ou não se sentiram confortáveis em declarar sua preferência pelo branco (o que aumentaria a preferência pelo branco para 68%... abarcando comparativamente toda população que se auto-declara “branca” (52%) e avançando 16% dentro da população que se auto-declara parda ou preta (47%) e amarela/indigena (1%)...), ou então sendo muito otimistas seriam os “tanto faz” (uma minoria de brasileiros para a qual a cor não faz qualquer diferença...), o que de uma forma ou de outra desmonta a idéia do “não somos racistas”).
A matéria citada segue, quando entra a comentar os resultados da pesquisa que “livra a cara” da elite, por estranha coincidência..., justamente outro famoso neo-democrata-racial e amigo dileto do comandante neo-democrata-racial que controla o telejornal..., ai não foi possível conter as gargalhadas..., patético, era o que faltava para tirar qualquer dúvida sobre a intenção do mais recente libelo da agora “elite boazinha” ... .
Vamos aguardar pela próxima trapalhada da tropa de choque neo-democrata-racial...
* Juarez C. da Silva Jr é Professor Universitário na área de T.I, ativista do movimento negro com 20 anos de atuação, estudioso da temática étnico-racial brasileira, formação em História e Cultura afro-brasileira e africana, Conselheiro Estadual de Direitos Humanos no Amazonas.
27.08.07 • 14:03:38 • by juarez_silva
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Os jornais e blogs no final do mês de julho tem dado algum destaque para a organização de uma "Marcha" ao estilo daquela famosa marcha que antecedeu o golpe militar de 64, agora gestada pela "fina flôr" da elite paulista, o movimento se chama "Chega !", formado por figurões da OAB e do "Jet Set" aliados a eminências Tucanas e engrossada por gente da classe média alta, sempre aspirantes a elite... .
Pois é..., apesar de ser um digno herdeiro da aristocracia quatrocentona paulista, está certo o Claudio Lembo... que repetidas vezes tem falado da tal "Elite branca má e perversa" (o "má e perversa" apesar de parecer redundante não é... :-) ) , ô "elitezinha safada"..., estão cansados do quê ???, de não largar o osso..., de dominar as instâncias de poder por séculos, de embarreirar econômica e socialmente a "massa de negros iguais" e/ou de pobres ???? , a cara de pau está aumentando a cada dia, e o pior é que além de contarem com a mídia pesada ainda querem fazer crer que quaisquer ações efetivas para mudar o Status Quo, gerarão "divisões perigosas" e promoverão coisas "inexistentes" no Brasil como racismo, desigualdade legal, etc.. ... :-) :-) , Esta marcha juntamente com outras ações da "frente ampla reacionária" são um sinal do desespero em que se encontram ao ver seus últimos bastiões na iminência de serem invadidos pela "patuléia esclarecida" ... , simplesmente patéticos...
30.07.07 • 12:46:54 • by juarez_silva
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Pois é..., fim de semestre escolar e início de novo semestre..., o semestre passado foi muito interessante, voltei a lecionar depois de um período fora das salas de aula, acabei me sentindo o próprio Sidney Poitier ao final do filme "Ao Mestre com carinho", da minha turma Vespertina de Sistemas de Informação na Fametro até ganhei um "mascote" feito em "biscui"..., realmente está a minha cara... :-):-) .

O Pessoal do Tecnologia de Desenvolvimento de Software do CEFET que iniciou o semestre sem saber a diferença entre variável númerica e uma string..., concluiu com projetos de software "rodando" e já são "programadores".
Já a turma de Tecnologia em Produção Publicitária do CEFET foi introduzida no mundo dos Blogs; como avaliação da disciplina Informática na Comunicação, vários blogs foram criados e muitos "dão pinta" que continuarão online e mantidos por seus donos que "pegaram o gostinho"... , o que para um Professor é extremamente gratificante... parabéns pessoal.

28.07.07 • 22:35:15 • by juarez_silva
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Já no fim dos Jogos Panamericanos lembrei de comentar uma da abertura..., nossa Ministra Martha Suplicy está fazendo lembrar aquela personagem do sai de baixo para quem falavam "Cala a boca Magda!!!"; depois de mandar as pobres vítimas do "apagão aéreo" que sofrem nos aeroportos "Relaxar e Gozar", a Ministra dá mais um fora (agora duplo) ao cumprimentar a atleta da patinação Eliete Cardoso dos Reis, 24 anos, a ministra perguntou se ela era mãe da ginasta Daiane dos Santos (22 anos...). "Não, por quê?", retornou Eliete. Aí a Ministra "pisou na bola olímpicamente"...: "Porque vocês duas são moreninhas". Eliete na lata retrucou: "Moreninhas não, ministra. Nós somos negras !!!".
Sem mais comentários... :-)
28.07.07 • 21:27:22 • by juarez_silva
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Pois é caro leitor, a gente até que tenta..., mas não dá para ficar longe do nosso tema habitual, esta semana dois fatos tiveram grande repercussão na imprensa nacional :
1- Uma empregada doméstica é agredida, roubada e espancada às 5h da manhã em um ponto de ônibus, por nada menos que 5 jovens estudantes universitários de classe média alta, moradores de condomínios de luxo no Rio de Janeiro .
2- Um Promotor de justiça é preso após em uma discussão seguida a um acidente de trânsito com um amigo, ter dito a um sargento da PM carioca a seguinte frase: "quem você pensa que é ? você é apenas um crioulo de farda..."
O primeiro fato mostra o quão doente está nossa sociedade, onde uma pessoa pobre é assaltada e espancada por "ricos", os jovens após presos, ainda teriam "justificado" a agressão por que acharam que se tratava de uma prostituta... (como se assaltar e espancar prostitutas fosse justificável...), mas o detalhe que a quase totalidade da imprensa não reportou (nem os acusados disseram), foi o fato da empregada ser negra... (ou "não-branca", para os adeptos da "morenice"), não seria este o "motor" que teria levado os jovens a achar que a doméstica parada no ponto de ônibus de madrugada fosse uma prostituta ?, o racismo intrínseco e embutido na ação, não foi aventado pela grande imprensa (salvo honrosa exceção do Xico Vargas, articulista de "No minímo"), outras duas mulheres que estavam no ponto também foram agredidas mas muito menos que a doméstica..., a ponto de terem podido escapar pegando um ônibus..., enquanto a doméstica Sirlei ouvia muitos xingamentos e levava chutes e socos na cabeça e por todo o corpo...
O segundo fato, demonstra claramente o que "vai pela cabeça" da maioria dos brasileiro "brancos" e principalmente da "elite", na hora da crise, a "bomba-armada" da mentalidade racista explode..., e isso vindo de uma "autoridade" com conhecimento jurídico e de humanidades, que em princípio deveria combater o racismo..., imagine o que pode vir de quem não teria teoricamente tal compromisso ? , o pior é que a "cara-de-pau" dos racistas brasileiros se mostra com toda a força, ao tentar negar descaradamente o óbvio (mesmo após presos em flagrante...) (vide a reportagem do G1)
Por estas e outras é que sempre digo da hipócrita sociedade brasileira: Não somos racistas "uma ova"..., "Não queríamos ser racistas..."
Leia mais detalhes na Imprensa :
Sobre o Caso Sirlei no Estadão
26.06.07 • 13:17:42 • by juarez_silva
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O "Blog do Juarez" surgiu para socializar de forma mais ampla a visão crítica de um Professor Universitário e Ativista Social com ampla atuação cibernética, Juarez C. da Silva Jr., mineiro de nascimento, paulista de criação, radicado no Amazonas por total opção e cosmopolita por aspiração.
Apesar de há anos possuir um site pessoal e outros sites temáticos, o blog dada a sua característica midiática, altamente interativa e dinâmica era uma idéia recente..., que só se "materializou" a partir do acesso casual pelo Jornalista "Global" Luiz Carlos Azenha a um dos meus textos espalhados pela web e da sua posterior visita ao meu site pessoal e contato, quando resolvi então ativar a função blog disponibilizada pelo meu provedor o AMAZONIDA.COM, portanto o blog é hoje mais que um complemento ao meu site pessoal, é uma mudança de paradigma; pois após muito escrever (sendo os textos publicados geralmente no SITE
PESSOAL ou no AFROAMAZONAS ), de "dar pitaco" em blogs e mais blogs pela web, além de atuar em comunidades do Orkut (em todos os casos geralmente em torno da temática étnico-racial), resolvi eu mesmo me tornar um "SELF-MÍDIA" MAN (Homem de Mídia Própria).
Aqui neste espaço continuo "exercitando" meu lado "escritor", "crítico" e "político"(no bom sentido :-)) só que de uma forma "mais ampla", tratando "ecléticamente" dos mais variados assuntos. Logo, você que está aqui e é "leitor(a) ativo(a)" típico(a) do séc. XXI, faz conosco este espaço independente e interativo de mídia.
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